O termo flamencología foi utilizado pela primeira vez no ano de 1955, quando o escritor argentino Anselmo González Climent publicou seu livro “Flamencología. Toros, cante y baile”. Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola de Língua, a “flamencología” seria um conjunto de conhecimentos e técnicas sobre o cante e o baile flamencos.
Uma disciplina que foi sendo desenvolvida por escritores, pesquisadores, historicistas, jornalistas, poetas, a flamencología contribuiu ao pesquisar a história do flamenco, suas formas e seus intérpretes, os feitos históricos mais importantes desta arte e sua conotação cultural e estética.
Pedimos uma definição de flamencología para nosso professor Juan Vergillos e ele nos presenteou com um relato apaixonado e pulsante sobre o tema! Vale a pena dar uma lida, deixamos ela traduzida na integra aqui:
“A flamencología é a paisagem do flamenco. As vezes desolada, as vezes brilhante. E uma paixão. A flamencología é um todo do flamenco. Ou, melhor dizendo, é o todo do flamenco. Os flamencos não são apenas seres que dão notas, que executam passos. São indivíduos em um grupo, em um contexto. O Flamenco é, antes de tudo, uma cultura, no sentido mais amplo da palavra. A flamencología é uma aproximação a esta cultura e implica em conhecer em que contexto nasce o “jondo”, quais são suas motivações históricas, seu patrimônio humano e a realidade atual dos seus criadores.
Flamencología é entender que para além da técnica existe a arte. É uma aproximação da harmonia e das técnicas flamencas, mas também as motivações e as paixões flamencas. Por conta disso sua aproximação com o jondo é multidisciplinar: desde a teoria musical e coreográfica, mas também desde a historia, a antropologia, a sociologia, a filosofia da arte, a geografia, a psicologia, a gastronomia, a literatura, etc. A paisagem andaluz também forma parte da alma flamenca. A flamencología é uma aproximação desta paisagem, no sentido mais amplo da palavra. No que me diz respeito é uma paixão: minha paixão por essa arte. A paixão por esta forma de vida.” Juan Vergillos